Nome da Musica

Quarta-feira, Abril 26

Foco errado: um pouco de educação.


Dia desses o Cléber defendeu a importância da educação de qualidade para que o povo (ente abstrato que serve para justificar um monte de bandalheira) aprenda a votar! Não me lembro exatamente dos termos, mas a idéia principal era esta. Concordo e discordo.

Então vamos lá.

Concordo

A cantilena de que a salvação do país passa obrigatoriamente pelos bancos escolares já domina o , ... como poderia dizer? senso-comum. E isso é bom. No entanto, não deixa de ser apenas isto: cantilena. Cantiga suave e monótona. O que é péssimo! Para um problema complexo, uma solução simples... e errada. Do alto de meu conhecimento estimulo o debate.

***

O primeiro passo para que a educação seja levada a sério, é que torne efetivamente uma política pública. Que fique protegida de governos destrambelhados e sem idéias (ou, pelo contrário, com idéias demais). Investimento maciço na formação dos professores, implementação de gestão moderna evitando o desperdício de recursos, qualificação de quadro administrativo, criação da carreira de diretor (esta idéia é minha, pauta de um futuro projeto de mestrado, qualquer dia explico mais), piso de R$ 1.000,00. Explico: tem cidades em que professores trabalham 40 horas semanais e recebem um salário mínimo. Não é exagero, não é falácia. (tema para outro post sobre diferenças regionais). E o quê mais? Agora os sindicalistas vão chiar: avaliação na ponta do processo. Sem essa de que não tem como avaliar a educação: tem sim! Os sindicatos que não permitem, não toleram, adoram péssimos profissionais. (Querem exemplos? tragam a cerveja que conto aqui em casa, não fica bem citar nomes na rede, posso ser processado por calúnia e difamação). Ah, quando falo de educação refiro-me à Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio). Depois disso cada um que se vire. Defendo a privatização urgente das universidades públicas. Nossas universidades são caras, elitistas e não são produtivas. Ah, tem jovens carentes? Tem sim: nos cursos de Licenciatura e de Filosofia. Mostre-me algum nos cursos de Medicina, Engenharias, Direito e coisas afins.
Estou escrevendo tudo isso depois de ver um grupo de baderneiros no Jornal Nacional. Sem essa, baderneiros sim senhor. Anti-democráticos. Permito-me o preconceito: eleitores do Inácio. Conto tudo rapidinho. O palco: debate sobre a questão de cotas nas universidades públicas na Câmara dos Deputados. Debatedores: oito defensores das cotas e três opositores (entre eles Demétrio Magnoli, craque da Geografia). A platéia: quando um defensor falava, a platéia urrava, como em um estádio de futebol. Quando um opositor pegava no microfone, entravam em ação apitos, pandeiros, ficavam de costas, rolavam no chão. Isso é que é ser democrata. Universidade não deve ser tribunal. Estão criando um problema que não existe: o problema é de pobreza. Ah, esses caras tem que ler Gilberto Freire.

Discordo

Só pra finalizar: sabem por que investimento em educação não é garantia de saber votar? Alguém acha que votar em Bush II é saber votar?